A tatuagem dura mais que o amor, assim como as dívidas sobrevivem à ossada de um carro usado. Resultado: a explosão da inadimplência. No primeiro semestre de 2012 os atrasos aumentaram mais de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. É a ressaca da farra dos crediários a partir de 2009, que embora tenha compensado os efeitos da crise internacional, não foi acompanhada pelo aumento dos investimentos, sem os quais a expansão sustentável da economia fica comprometida. A queda da Selic ajuda. Mas, contribui mais para reduzir o custo da dívida pública e para alegrar os exportadores com a valorização do dólar do que para estimular o investimento. Especialmente entre aqueles de fora do círculo dos amigos do BNDES que enfrentam taxas de juros escorchantes dos Bancos em geral.
A expansão de nossa economia se apóia em mesa de três pernas: o consumo interno, o externo (exportações) e os investimentos (internos e externos). São pernas siamesas e até certo ponto interdependentes. O consumo interno pode ser estimulado baixando os preços via queda de impostos o que tem sido feito com sucesso depois de 2008. O aumento da renda dos mais pobres também ajuda. Mas a dinâmica expansionista do emprego e da renda dá sinais de fadiga. O externo depende da expansão da Ásia, da China especialmente, da Europa, e dos Estados Unidos. Nesse quesito as coisas não vão bem. Os investimentos internos públicos estão em queda, e os privados dependem de financiamentos a juros civilizados: apesar do banho de loja que os bancos deram nas suas taxas premidos pelo “exemplo” do BB e da CEF, estas ainda são estratosféricas. Os investidores externos estão escaldados com a crise que se agrava na Europa – a Espanha cambaleia…- e procuram um lugar seguro para esperar a tempestade passar. No jargão financeiro dos anos 60, “vão dançar com a irmã…” e, o melhor salão para isso (ainda) são os títulos do Tesouro americano.
O investimento que leva o pomposo nome de formação bruta de capital fixo cai em 2012 em relação ao ano passado. As expectativas não são boas e a maioria dos empresários vive delas. Da mesa de três pernas, duas estão mancando: o investimento e as vendas externas (exportações). O Pib de 2012 será certamente menor do que o de 2011, que já foi ruim. Não seria de estranhar se ficar abaixo dos 2,0%. O crescimento tipo vôo de galinha esta de volta. Infelizmente com galinhas mais magras…
1 comment
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Ferreirinha says:
June 27, 2012 at 1:04 PM (UTC -3)
Quando eu fiz o meu MBA em finanças no IAG da PUC, no ano de 2004, ou seja, há oito anos atrás, um professor economista cujo nome não lembro jurou e provou matematicamente que a dívida externa brasileira não tinha solução. E dizia com um tom sério e até melancólico. Não temos saída, dizia, o valor da dívida é este, o PIB é aquele e a capacidade produtiva é insuficiente e blábláblá Só tem que na época era um bláblábá muito convincente e super sustentável. Até eu acreditei nele.
Cheguei a conclusão de que a economia é uma disciplina sem lei. Hoje é um crescimento do tipo galinhas tentando voar, mas amanhã já é um outro dia e as galinhas, surpreendentemente, comeram o espinafre do Marinheiro Popeye, um falcão veio dar umas aulas e as galinhas fazem voos incríveis. Pô, mas galinha comendo espinafre do popeye, isso eu não poderia prever, dirão os economistas….