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nov 27 2012

2013 – Crescimento ou Estagnação?

2013 – Crescimento ou Estagnação?   (nov. 2012)

Uma decolagem perfeita nada garante se o piloto não souber onde pousar.

Na dúvida, melhor não decolar. Na incerteza, melhor não investir. Sabemos que a produção e seus desdobramentos – salários, lucros, rendas – depende do binômio consumo e investimento. Mesmo que o consumo esteja bombando, um horizonte vacilante não faz o investimento sair do casulo. Se uma das laminas estiver cega a tesoura não corta.  A pergunta então é: porque com tantos estímulos ao consumo – redução de impostos, baixa nos juros, represamento de preços (combustíveis p.ex.) os investimentos não crescem?

Vários fatores conspiram contra essa esperada retomada. A crise internacional contraindo a demanda na Europa, na Ásia e também nos Estados Unidos acirra a concorrência e torna mais difíceis nossas exportações, especialmente de manufaturados. Uma taxa de cambio ainda valorizada completa o desalento e a indústria encolhe. A expansão da demanda interna alavancada pelo crescimento da renda nos últimos anos provoca elevação de preços do que não pode ser importado: a maioria  dos serviços. Não dá, por exemplo, para cortar o cabelo em Londres. Só os mais riquinhos… A quebra de safras nos Estados Unidos eleva os preços de alguns alimentos. Diante destas pressões inflacionárias que ameaçam estourar a meta o governo adota uma política perigosa: solta a tartaruga e segura a gazela. Ou seja, segura alguns preços como o dos combustíveis – penalizando a capacidade de investimento da Petrobrás – reduz os impostos sobre bens de consumo encolhendo seus preços. Claro, em ano de eleição a caixa de ferramentas das bondades é escancarada, mas não se pode fazer isto o tempo todo. Os investidores sabem disso. Sabem que as pressões inflacionárias estão sendo contidas artificialmente. E se não puderem mais ser represadas a taxa de juros voltará a subir. Ou seja, embora necessária para evitar o pior, esta política não é sustentável no médio prazo. A ofensiva para baratear a energia elétrica para empresas e consumidores, desonerando as tarifas de taxas e depreciações já terminadas pode afetar os novos investimentos. Várias empresas do setor estão tirando o corpo fora depois do anuncio das novas regras.

Como é de ofício, o governo promete um crescimento do PIB de 4% ou 4,5% em 2013. Já assistimos a estas declarações pirotécnicas em anos anteriores. Este crescimento dependerá da expansão dos investimentos que as condições externas não ajudam e as internas em certa medida atrapalham. Aliás, especialmente na Europa o ranger de dentes da população castigada pelo desemprego e perda de direitos já se transforma em confrontos nas ruas. A última coisa que esta situação inspira é otimismo. Em matéria de crescimento do Pib, o primeiro biênio do atual mandato presidencial é um dos piores das ultimas décadas. Diante das circunstancias, 2013 parece inclinar-se mais para repetir o raquítico desempenho de 2012 do que para um crescimento robusto da produção.

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