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fev 08 2017

Paradoxos e Incertezas da Retomada do Crescimento Econômico

A atual política econômica não é farinha do mesmo saco da proposta por Joaquim Levy nomeado para a Fazenda – a contra gosto é verdade – pela ex-presidente Dilma Roussef.

Mas é farinha do mesmo moinho. Existem diferenças? Sim, algumas: Levy queria arrecadar mais aumentando impostos tipo CPMF; além disso, o déficit era uma metamorfose ambulante: começava anão e virava gigante. O ministro Meirelles pressionado pelo empresariado jurou não aumentar impostos e preferiu o jogo da verdade com o déficit:  pelo menos em 2016 não estourou o teto.

Além desta, outra se destaca no tocante ao método. O atual governo abriu duas caixas de ferramentas: uma diminuta, a das bondades; outra, imensa, contendo grandes maldades. Libera depósitos inativos do FGTS; para alguns é um 14 salário. Mas, aprova  o teto dos gastos e envia ao Congresso a reforma da Previdência,  ambas  medidas canalizando para os ombros dos mais pobres o ônus da estabilização. Embora inescapáveis estas medidas representam, no plano político uma atitude paradoxal: ao lançá-las o governo verte água na roda da  impopularidade! E depende cada vez mais do Congresso e dos empresários para não cair.

Em geral, governantes assim se comportam quando o tempo disponível lhes permite compensar as maldades no início do período com bondades nos últimos dois anos de mandato. Mas este governo só tem dois anos e mesmo com tais medidas impopulares corre o risco de não conseguir a retomada do crescimento da economia.

Isto porque a crise dos governos estaduais é mais profunda do que parecia: três dos cinco mais importantes estados brasileiros (Rio, Minas e Rio Grande do Sul) estão praticamente quebrados e necessitando socorro. E socorro no dicionário das finanças públicas quer dizer: déficit & dívida. No plano internacional as ameaças e ações protecionistas do presidente Trump trazem uma turbulência que pode desaguar num jogo tipo perde- perde no qual o Brasil não se classifica entre os que vão perder menos. Os consumidores, esmerilhados por cartões de crédito abrasivos e pilhados no doping do cheque especial fogem das lojas e os negócios não rodam.

Mas nem tudo é negativo. Além da interrupção da trajetória ascendente do déficit público, alguns fatores preparam o caminho para a volta dos investimentos: uma taxa de cambio menos valorizada vem estimulando as exportações e mancomunada com a recessão reduz as importações assegurando um bom superávit comercial.   Mais de 50% dos acordos salariais em 2016 foram assinados com reajustes abaixo da inflação. Isto quer dizer que a mão de obra torna-se mais barata o que sinaliza custos menores para investidores e melhores perspectivas de lucros. A inflação ascendente até meses atrás apresenta sintomas de fadiga e retorna para o centro da meta. A taxa básica de juros ( Selic) também apresenta trajetória de queda o que  ajudara certamente na expansão do credito.

A batalha agora é o que acontecera com a Previdência. Se a  proposta for aprovada sem grandes alterações, os investimentos sairão da toca, acreditando que a dívida pública embora ainda cresça por algum tempo sofrerá uma inflexão.

É verdade que as turbulências da Lava Jato alavancadas com as revelações dos executivos da Odebrecht, poderão  desestabilizar, e no limite derrubar o atual  governo.  Mas, se isto não acontecer o caminho, embora difícil, estará livre para uma lenta recuperação  da economia.

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